Perspetivas dos jornalistas para o próximo Congresso

Perspetivas dos jornalistas para o próximo Congresso

Enquanto decorre o 5.º Congresso de Jornalistas, a redação foi ouvir alguns jornalistas que são presenças habituais neste fóruns para  saber o que esperam do próximo evento.

Raquel Martins, jornalista do Público, marca presença pela segunda vez no Congresso e deseja que o nível de adesão deste ano se mantenha para os próximos. “Penso que há uma grande participação de pessoas e espero que assim continue. Para o debate dos problemas e das saídas para os nossos problemas é importante haver esta participação”, sublinha.

Para a jornalista, “no momento atual” é importante que do Congresso saia o apoio aos profissionais do Grupo da Global Média. “Esta solidariedade com os nossos camaradas da Global Média, que tem sido expressa, é muito importante para resolver uma parte dos nossos problemas. Esta solidariedade é fundamental”.

 

Marta Caires, jornalista do Expresso/SIC na Madeira, concorda com Raquel Martins. “Espero que se mantenha esta participação e este empenho. No último congresso estavam muito menos pessoas”, recorda. A esperança é que “este ambiente de participação, de adesão, de muita gente, de muitos jornalistas se mantenha porque é sinal que a profissão ainda vai existir e ainda vamos cá estar”.

 

Para a jornalista Paula Sofia Luz, este é o terceiro congresso em se participa, considerando que é essencial mudar um fator que se tem mantido igual em todos os eventos. “Eu espero que o próximo congresso aconteça fora de Lisboa, que possa acontecer em qualquer sítio do país, mas não em Lisboa”, afirma, sublinhando que esta é uma das suas “lutas no jornalismo”.

“O país existe fora da capital, portanto é preciso sim dar voz a quem vive fora daqui, para além de um painel”, reitera.

 

Maria José Brites, docente da Universidade Lusófona, encontrou nesta 5.º edição do Congresso dos Jornalistas algo que espera que se mantenha no próximo, “o entusiasmo e a procura de uma leitura, de um olhar mais para dentro relativamente à classe jornalística, aos problemas e aos desafios que enfrenta”.

 

Na 4ª edição do Congresso dos Jornalistas, Céu Neves, do Diário de Notícias, apresentou uma moção que consistia na saída dos jornalistas de eventos onde não lhes permitam realizar questões. “Uma conferência de imprensa é uma conferência onde é apresentado um tema, uma situação e os jornalistas fazem perguntas, se não puderem fazer perguntas não é uma conferência de imprensa.” Apesar de ter sido aprovada “por maioria”, a moção não foi aplicada como esperado. “Não sei se aconteceu uma ou duas vezes”, lamenta.

Nos próximos congressos, a jornalista espera que “as pessoas tenham a noção que o que está a ser aprovado seja para ser aplicado, porque se for para ser aprovado só porque sim, não vale a pena”.

Para Céu Neves os congressos não são uma novidade. Participou em todos e fez parte da organização do primeiro quando ainda era estudante. Destaca que hoje “a precariedade aumentou” enquanto “inversamente diminuíram os ordenados.”

Em relação aos congressos, destaca que “há sempre um conjunto de boas intenções, aprovam sempre muitas moções”.  Diz ficar “consciente que as pessoas têm noção de quais são os nossos problemas, mas depois entre as moções aprovadas e as moções aplicadas no dia a dia isso não acontece”.

 

Carlos Camponez, da Universidade de Coimbra, em contraponto, expressa o que espera que não se repita nas próximas edições. “Este congresso está muito marcado pelas questões relacionadas com a precariedade e com o problema do Grupo Global Média e isso foi marcante. Isso seria certamente uma coisa que eu não gostaria que se voltasse a repetir no próximo congresso.”

Classifica todos as edições como “muito diferentes” umas das outras. O que espera que nunca desapareça é a própria essência do congresso. “Os jornalistas existem enquanto classe não apenas porque trabalham numa redação, é porque isso que se encontram e debatem os seus problemas em conjunto. Isso espero que nunca deixe de existir no congresso”.

 

Por: Verónica Freitas | Escola Superior de Tecnologia de Abrantes
Fotografia: Emily Orquera | Universidade Europeia